De pé, ao lado da cama, observou-a deitada, dormindo tranquilamente. O sol ainda não havia nascido, mas ainda assim era possível vê-la na penumbra que se dissipava. O rosto encoberto pelo cabelo jogado e afundado no travesseiro macio; os ombros nus à vista por cima do lençóis, o qual cobria o resto do corpo, as curvas, os seios, o quadril arredondado, as longas pernas... por fim um dos pés aparecia, delicado, belo, inconsciente do olhar que o apreciava.
De pé, ao lado da cama, com os pés afastados, as mãos dentro dos bolsos do roupão, ele admirava a mulher descansando. Admirava e imaginava...
Junto do pé aparecia uma pequena porção da corda de seda, grossa, trançada e vermelha; ela estava envolvendo os tornozelos até a metade das canelas, numa amarra elegante e estética, mantendo as pernas presas juntas. Os braços não apareciam porque estavam amarrados para trás, com o mesmo trançado, mantidos imóveis, tensionados, e projetando os seios para frente, um deles se insinuando por baixo do lençol como um pequeno monte. Por debaixo dos cabelos, os olhos vendados, a boca amordaçada, o rosto afundado no travesseiro na mesma posição que ele a havia deixado algumas horas antes. Ela estava dormindo exausta depois de algumas horas...
Sentindo a respiração alterar, piscou e desviou o olhar para o sol que despontava no horizonte.
Nascia dentro dele alguém que gostava de controlar, pensou com um meio sorriso.
Olhou novamente para a mulher descansando na cama, relaxada. Tirou o roupão, levantou o lençol, admirando as curvas por alguns segundos, e deitou ao seu lado. Ela suspirou, ainda adormecida, se espreguiçou com languidez, relaxou e enrroscou as pernas livres nas dele.
Abraçando-a com gentileza, murmurou baixinho:
- Me aguarde...