30 de janeiro de 2014

Lembranças de um personagem

"E o que se faz com o tempo perdido? Aquele que não aproveitamos, no qual não nos vimos, o qual não vivemos? O que eu faço com esse tempo agora, meu doce?" - ele se perguntou baixinho, ajoelhado na grama. - "O que vou fazer com esse vazio?"

O vento frio lhe balançava os cabelos escuros, jogando-os sobre os olhos castanhos, enquanto ele lutava contra a torrente de sentimentos que emergiam em ondas. Apertou o sobretudo com força sobre o peito, numa tentativa de se aquecer, como tentam aqueles que perderam a capacidade de ser felizes.

Levantou os olhos, escuros e tristes como o céu invernal, e olhou para Thomas ao longe, em companhia da avó. Seu sorriso infantil contrastava com o cenário, como uma lua no céu escuro ou uma flor vermelha na floresta. Brincava, para lá e para cá, agarrando o presente com tal intensidade que acabava por ficar alheio a ele. A bênção de ser criança. Baixou os olhos novamente. Era hora de ir.

- Vamos sentir saudades de você, querida. - murmurou e tomou ar profundamente, lutando contra as lágrimas.

Com essas palavras, ele se preparava para o futuro, na verdade incerto e de certa forma aleijado. Não importa que as pessoas lhe dissessem que tudo ficaria bem e que as coisas se ajeitariam. No momento o futuro apenas lhe parecia aleijado e sem sentido. Evidente que ele se recomporia, que cuidaria de Thomas e que seguiria em frente, mas nesse momento apenas sob protesto.

Largou o casaco por um instante, agora sem se importar com o vento que lhe batia forte no peito, e acariciou a pedra escura suavemente.

- Adeus... e obrigado.

Recolheu a mão lentamente, como que para estender o momento.

Então pôs-se de pé, inspirou fundo uma última vez e andou na direção de Thomas e da avó. O que quer que a vida lhe reservava agora estava à frente, enquanto que o passado não era mais que um punhado de lembranças.

Hora de ir.

16 de janeiro de 2014

Intervalo.

Não que alguém efetivamente leia o que eu escrevo por aqui, de forma que isso é mais um pedido de desculpas a mim mesmo, que qualquer outra coisa.

Isso posto, me desculpo por não estar escrevendo por aqui, ou porque deixarei de o fazer por um certo tempo, pois estou com um projeto grande em mente. Deixarei, assim, esse espaço a sós, meditando sobre os motivos de sua existência.

Nada permanente, quero crer.

E se a saudades de um texto curto apertar, virei. Ou venha você. A casa continuará aberta.

Na verdade, a você que perde cinco minutos lendo algo por aqui, um obrigado.... obrigado simplesmente por ler, algo em extinção nesse país.