"E o que se faz com o tempo perdido? Aquele que não aproveitamos, no qual não nos vimos, o qual não vivemos? O que eu faço com esse tempo agora, meu doce?" - ele se perguntou baixinho, ajoelhado na grama. - "O que vou fazer com esse vazio?"
O vento frio lhe balançava os cabelos escuros, jogando-os sobre os olhos castanhos, enquanto ele lutava contra a torrente de sentimentos que emergiam em ondas. Apertou o sobretudo com força sobre o peito, numa tentativa de se aquecer, como tentam aqueles que perderam a capacidade de ser felizes.
Levantou os olhos, escuros e tristes como o céu invernal, e olhou para Thomas ao longe, em companhia da avó. Seu sorriso infantil contrastava com o cenário, como uma lua no céu escuro ou uma flor vermelha na floresta. Brincava, para lá e para cá, agarrando o presente com tal intensidade que acabava por ficar alheio a ele. A bênção de ser criança. Baixou os olhos novamente. Era hora de ir.
- Vamos sentir saudades de você, querida. - murmurou e tomou ar profundamente, lutando contra as lágrimas.
Com essas palavras, ele se preparava para o futuro, na verdade incerto e de certa forma aleijado. Não importa que as pessoas lhe dissessem que tudo ficaria bem e que as coisas se ajeitariam. No momento o futuro apenas lhe parecia aleijado e sem sentido. Evidente que ele se recomporia, que cuidaria de Thomas e que seguiria em frente, mas nesse momento apenas sob protesto.
Largou o casaco por um instante, agora sem se importar com o vento que lhe batia forte no peito, e acariciou a pedra escura suavemente.
- Adeus... e obrigado.
Recolheu a mão lentamente, como que para estender o momento.
Então pôs-se de pé, inspirou fundo uma última vez e andou na direção de Thomas e da avó. O que quer que a vida lhe reservava agora estava à frente, enquanto que o passado não era mais que um punhado de lembranças.
Hora de ir.
30 de janeiro de 2014
16 de janeiro de 2014
Intervalo.
Não que alguém efetivamente leia o que eu escrevo por aqui, de forma que isso é mais um pedido de desculpas a mim mesmo, que qualquer outra coisa.
Isso posto, me desculpo por não estar escrevendo por aqui, ou porque deixarei de o fazer por um certo tempo, pois estou com um projeto grande em mente. Deixarei, assim, esse espaço a sós, meditando sobre os motivos de sua existência.
Nada permanente, quero crer.
E se a saudades de um texto curto apertar, virei. Ou venha você. A casa continuará aberta.
Na verdade, a você que perde cinco minutos lendo algo por aqui, um obrigado.... obrigado simplesmente por ler, algo em extinção nesse país.
Isso posto, me desculpo por não estar escrevendo por aqui, ou porque deixarei de o fazer por um certo tempo, pois estou com um projeto grande em mente. Deixarei, assim, esse espaço a sós, meditando sobre os motivos de sua existência.
Nada permanente, quero crer.
E se a saudades de um texto curto apertar, virei. Ou venha você. A casa continuará aberta.
Na verdade, a você que perde cinco minutos lendo algo por aqui, um obrigado.... obrigado simplesmente por ler, algo em extinção nesse país.
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