- Foi bom. - disse ele sorrindo.
- Estava bom... - disse ela, deitando a cabeça no ombro dele.
- Não. Foi bom.
- Não estava?
- Não... foi.
- Por quê?
- Porque foi... senão ainda estaria sendo, só que no passado.
- Mas... os dois não acabam do mesmo jeito? - perguntou ela baixinho.
...
...
- Cale-se! - disse ele sorrindo.
- Apelão... vai sair caro isso pra você! - disse ela sorrindo e enroscando a perna sobre a dele...
Ahh, a trama dos tempos e dos corpos.
20 de abril de 2012
19 de abril de 2012
Ciclo
Ele observou distraidamente a mão tremendo, enquanto segurava o garfo. "Deve ser a idade.", pensou sorrindo. "Qual era sua idade mesmo?" Franziu o cenho, tentando precisar o valor. Não lembrava direito. De uns tempos pra cá estava ficando cada vez mais difícil de lembrar as coisas, e nem o tamanho desses tempos ele lembrava direito.
O mundo havia se transformado numa névoa. A vida agora era como subir numa montanha muito alta: ficava cada vez mais difícil respirar e de vez em quando fazia muito frio; havia nuvens e neblina para todos os lados e não se sabia nem qual era a paisagem em volta; tinha-se uma lembrança e uma saudade vívida do vale: seus encantos, sua fartura e sua beleza; era muito solitário... os amigos haviam se perdido na neblina.
Mas o coração ainda batia e os olhos ainda viam assim assim. Tanto viam que ele observava curioso o balançar da sua mão segurando o garfo.
- Coma querido. A comida vai esfriar! - Disse a moça junto ao seu ouvido com um olhar terno, mas atento e forte. Ela era muito bonita, pensou ele. "Ahh se eu fosse mais jovem!" sorriu ele de leve. Ela lhe lembrava alguém, mas ele não tinha certeza de quem exatamente. Curioso! Quem seria?...
O balançar da sua mão, segurando o garfo, novamente lhe capturou o olhar. Essa sensação de solidão era tão esquisita. "Eu não sou tão velho assim pra ter perdido todos os meus amigos!" pensou se olhando no espelho do outro lado da sala. "Dá a impressão que sou o único ser vivo na face da terra." O espelho mostrava uma face enrugada; cabelos grisalhos, mais para brancos que para pretos; olhos claros e vivos; alguém na faixa dos 60 anos. O espelho sorriu de volta, mostrando dentes brancos. "Nossa, ele tem todos os dentes." e o reflexo sorriu ainda mais.
- Onde foi parar todo mundo? - perguntou alto.
- Está todo mundo aqui, papai! - respondeu a moça sentada ao seu lado, abrindo um sorriso leve, mas com o mesmo olhar atento. - Coma que a comida vai esfriar!
"Papai?!", ele olhou para ela meio surpreso. "Bem, até que fazia sentido, ela era parecida com ele." observou comparando a face do espelho com a da moça ao seu lado. "Isso! Ela é parecida com a imagem do espelho!". Engraçado, ele não lembrava direito de ter tido uma filha.
- Está todo mundo aqui? Mas eu me sinto tão sozinho.
- Você não está sozinho, papai, garanto pra você. - respondeu a moça.
Bem, ela podia garantir, mas isso não diminuía aquela solidão esquisita que ele sentia por dentro. Não sabia dizer quando ela havia começado, mas estava ali com certeza. "Sim, ele se sente bastante solitário." pensou olhando a imagem no espelho, os olhos perdendo a vida e o sorriso murchando.
- Coma querido. A comida vai esfriar! - Disse a moça sentada ao seu lado.
Ele piscou os olhos e observou distraidamente a mão tremendo, enquanto segurava o garfo. "Deve ser a idade.", pensou abrindo o sorriso. "Qual era sua idade mesmo?"...
O mundo havia se transformado numa névoa. A vida agora era como subir numa montanha muito alta: ficava cada vez mais difícil respirar e de vez em quando fazia muito frio; havia nuvens e neblina para todos os lados e não se sabia nem qual era a paisagem em volta; tinha-se uma lembrança e uma saudade vívida do vale: seus encantos, sua fartura e sua beleza; era muito solitário... os amigos haviam se perdido na neblina.
Mas o coração ainda batia e os olhos ainda viam assim assim. Tanto viam que ele observava curioso o balançar da sua mão segurando o garfo.
- Coma querido. A comida vai esfriar! - Disse a moça junto ao seu ouvido com um olhar terno, mas atento e forte. Ela era muito bonita, pensou ele. "Ahh se eu fosse mais jovem!" sorriu ele de leve. Ela lhe lembrava alguém, mas ele não tinha certeza de quem exatamente. Curioso! Quem seria?...
O balançar da sua mão, segurando o garfo, novamente lhe capturou o olhar. Essa sensação de solidão era tão esquisita. "Eu não sou tão velho assim pra ter perdido todos os meus amigos!" pensou se olhando no espelho do outro lado da sala. "Dá a impressão que sou o único ser vivo na face da terra." O espelho mostrava uma face enrugada; cabelos grisalhos, mais para brancos que para pretos; olhos claros e vivos; alguém na faixa dos 60 anos. O espelho sorriu de volta, mostrando dentes brancos. "Nossa, ele tem todos os dentes." e o reflexo sorriu ainda mais.
- Onde foi parar todo mundo? - perguntou alto.
- Está todo mundo aqui, papai! - respondeu a moça sentada ao seu lado, abrindo um sorriso leve, mas com o mesmo olhar atento. - Coma que a comida vai esfriar!
"Papai?!", ele olhou para ela meio surpreso. "Bem, até que fazia sentido, ela era parecida com ele." observou comparando a face do espelho com a da moça ao seu lado. "Isso! Ela é parecida com a imagem do espelho!". Engraçado, ele não lembrava direito de ter tido uma filha.
- Está todo mundo aqui? Mas eu me sinto tão sozinho.
- Você não está sozinho, papai, garanto pra você. - respondeu a moça.
Bem, ela podia garantir, mas isso não diminuía aquela solidão esquisita que ele sentia por dentro. Não sabia dizer quando ela havia começado, mas estava ali com certeza. "Sim, ele se sente bastante solitário." pensou olhando a imagem no espelho, os olhos perdendo a vida e o sorriso murchando.
- Coma querido. A comida vai esfriar! - Disse a moça sentada ao seu lado.
Ele piscou os olhos e observou distraidamente a mão tremendo, enquanto segurava o garfo. "Deve ser a idade.", pensou abrindo o sorriso. "Qual era sua idade mesmo?"...
18 de abril de 2012
Fragmento Censurado II
Ela estava na fila do caixa; suada e descabelada; segurando uma cesta com pão, queijo e mais outras coisas que ele não sabia dizer. Parecia suja. "Como as pessoas vem sujas no supermercado desse jeito?" pensou ele observando-a com certo asco. Mas ali estava ela, parada, esperando a sua vez de ser atendida.
A fila andou mais um pouco e ela se moveu junto, mudando a posição do quadril. Agora ele também podia ver as pernas, antes escondidas pela saia da senhora da frente, uma velha grisalha e ensacada dentro de um vestido escuro de cor indeterminada. Ele esticou o pescoço. As pernas eram longas e ela estava vestindo apenas uma bermuda curta; dava para ver até os pés agora, calçados em chinelos baratos. - Bem, o conjunto até que não é desagradável - pensou ele enquanto passava os olhos nos outros caixas e constatava a tranquilidade monótona dos clientes sendo atendidos.
- Tudo tranquilo - voltou a atenção para ela; usava uma blusa abotoada à frente, branca, com pequenos detalhes que deveria ter algum nome que ele desconhecia. O que ele sabia é que debaixo da blusa estava um par de peitos. Ele sorriu com sua perspicácia. - Um par de peitos gostosos... - pensou aguçando a vista e vendo que a blusa estava meio esticada pelo volume abaixo.
A fila andou mais, ela seria a próxima a ser atendida. A velha ficou de novo na frente das pernas da moça. - Bosta! - Ele olhou para o rosto dela, traços finos, delicados, que não combinavam com seu estado. O cabelo amassado e confuso caia na altura dos ombros, misturando-se com a blusa. Os olhos tinham uma aparência cansada e estava mordendo um lábio enquanto esperava.
Ele olhou impaciente para o relógio da parede; quase meio dia. Passou os olhos nos caixas rapidamente e voltou a olhar a moça. Sua altura era boa... ideal pra ser sincero; ficou imaginando ela nua e se divertindo com a ideia e com a moça. - Nossa, isso me dá até sede - tartamudeou consigo enquanto piscava os olhos e pensava com força numa lata de cerveja gelada, tentando mudar o rumo da conversa interna da moça sujona para a cerveja.
- Pronto, a velha foi embora! - resmungou, vendo a moça agora completamente. - Puta, que bunda! Ave Maria! - grunhiu, apreciando toscamente o corpo da moça e sentindo o incômodo tomar conta do seu. Mudou de posição para disfarçar e continuou a observar, enquanto ela tirava as coisas da cesta e colocava no caixa. "Cacete! Que calor..." pensou, agora definitivamente incomodado com a ereção e as ideias que lhe passavam pela cabeça; sentindo a gota de suor escorrer pelo lado do rosto.
A moça terminou de colocar as coisas nas sacolas e enfiou a mão no bolso da bunda para retirar o dinheiro. "Safada! Cachorra safada!" pensou ele com um sorriso contido. - Não podia ter colocado a grana no bolso da frente não? Miserável... - Ela recebeu o troco do caixa, guardando no bolso traseiro novamente, pegou as sacolas e virou-se, encarando-o diretamente nos olhos.
Ele sentiu a respiração parar com o susto e rapidamente desviou o olhar; virou de lado para os outros caixas e colocou as mãos na frente da calça, para disfarçar. Sentia que a moça caminhava em sua direção... - Obviamente, sua besta! - falou pra si mesmo. As pessoas passam por vigias em portas de supermercados. "Porra de cabeça suja a minha... caralho, coitada da moça deve estar ralando em algum lugar e eu aqui comendo ela dentro da cabeça." pensou ele com vergonha. - Deus me livre e guarde! - falou baixinho.
Viu com o canto dos olhos a moça se aproximando com um sorriso leve nos lábios. "Aí seu idiota... olha o mico! A moça sacou tudo..." pensou chateado. Olhou-a rapidamente, mudou a posição das mãos na frente da calça, levou uma delas ao quepe e a cumprimentou - Tenha um bom dia, senhora!" - como haviam ensinado no curso; desviou o olhar, sem graça, e continuou a olhar os caixas à distância, não vendo o sorriso da moça aumentar. "Coitada... seu idiota!" pensou uma última vez, desviando os olhos, esquecendo a moça inocente e focando o pensamento na monotonia dos caixas à distância.
...
A moça se virou e caminhou em direção à porta do supermercado. Viu de relance o estilo do olhar do vigia e como ele se virou de lado rapidamente. Abriu um leve sorriso... "Ahh homens! Mas não tenho tempo pra pensar em você agora moço." disse ela para consigo, sentindo os tornozelos ardendo de leve.
Passou pelo vigia rapidamente e ouviu o bom dia distraída. Estava com pressa agora. "Meu homem só largou de mim e me desamarrou da mesa porque estava com fome..." suspirou ela, abrindo um sorriso feliz. Piscou os olhos rapidamente por causa do sol na saída e segurou as compras com força, antecipando excitada o que a aguardava quando chegasse em casa. - Ai! Ai! - disse baixinho, pondo-se a caminhar...
A fila andou mais um pouco e ela se moveu junto, mudando a posição do quadril. Agora ele também podia ver as pernas, antes escondidas pela saia da senhora da frente, uma velha grisalha e ensacada dentro de um vestido escuro de cor indeterminada. Ele esticou o pescoço. As pernas eram longas e ela estava vestindo apenas uma bermuda curta; dava para ver até os pés agora, calçados em chinelos baratos. - Bem, o conjunto até que não é desagradável - pensou ele enquanto passava os olhos nos outros caixas e constatava a tranquilidade monótona dos clientes sendo atendidos.
- Tudo tranquilo - voltou a atenção para ela; usava uma blusa abotoada à frente, branca, com pequenos detalhes que deveria ter algum nome que ele desconhecia. O que ele sabia é que debaixo da blusa estava um par de peitos. Ele sorriu com sua perspicácia. - Um par de peitos gostosos... - pensou aguçando a vista e vendo que a blusa estava meio esticada pelo volume abaixo.
A fila andou mais, ela seria a próxima a ser atendida. A velha ficou de novo na frente das pernas da moça. - Bosta! - Ele olhou para o rosto dela, traços finos, delicados, que não combinavam com seu estado. O cabelo amassado e confuso caia na altura dos ombros, misturando-se com a blusa. Os olhos tinham uma aparência cansada e estava mordendo um lábio enquanto esperava.
Ele olhou impaciente para o relógio da parede; quase meio dia. Passou os olhos nos caixas rapidamente e voltou a olhar a moça. Sua altura era boa... ideal pra ser sincero; ficou imaginando ela nua e se divertindo com a ideia e com a moça. - Nossa, isso me dá até sede - tartamudeou consigo enquanto piscava os olhos e pensava com força numa lata de cerveja gelada, tentando mudar o rumo da conversa interna da moça sujona para a cerveja.
- Pronto, a velha foi embora! - resmungou, vendo a moça agora completamente. - Puta, que bunda! Ave Maria! - grunhiu, apreciando toscamente o corpo da moça e sentindo o incômodo tomar conta do seu. Mudou de posição para disfarçar e continuou a observar, enquanto ela tirava as coisas da cesta e colocava no caixa. "Cacete! Que calor..." pensou, agora definitivamente incomodado com a ereção e as ideias que lhe passavam pela cabeça; sentindo a gota de suor escorrer pelo lado do rosto.
A moça terminou de colocar as coisas nas sacolas e enfiou a mão no bolso da bunda para retirar o dinheiro. "Safada! Cachorra safada!" pensou ele com um sorriso contido. - Não podia ter colocado a grana no bolso da frente não? Miserável... - Ela recebeu o troco do caixa, guardando no bolso traseiro novamente, pegou as sacolas e virou-se, encarando-o diretamente nos olhos.
Ele sentiu a respiração parar com o susto e rapidamente desviou o olhar; virou de lado para os outros caixas e colocou as mãos na frente da calça, para disfarçar. Sentia que a moça caminhava em sua direção... - Obviamente, sua besta! - falou pra si mesmo. As pessoas passam por vigias em portas de supermercados. "Porra de cabeça suja a minha... caralho, coitada da moça deve estar ralando em algum lugar e eu aqui comendo ela dentro da cabeça." pensou ele com vergonha. - Deus me livre e guarde! - falou baixinho.
Viu com o canto dos olhos a moça se aproximando com um sorriso leve nos lábios. "Aí seu idiota... olha o mico! A moça sacou tudo..." pensou chateado. Olhou-a rapidamente, mudou a posição das mãos na frente da calça, levou uma delas ao quepe e a cumprimentou - Tenha um bom dia, senhora!" - como haviam ensinado no curso; desviou o olhar, sem graça, e continuou a olhar os caixas à distância, não vendo o sorriso da moça aumentar. "Coitada... seu idiota!" pensou uma última vez, desviando os olhos, esquecendo a moça inocente e focando o pensamento na monotonia dos caixas à distância.
...
A moça se virou e caminhou em direção à porta do supermercado. Viu de relance o estilo do olhar do vigia e como ele se virou de lado rapidamente. Abriu um leve sorriso... "Ahh homens! Mas não tenho tempo pra pensar em você agora moço." disse ela para consigo, sentindo os tornozelos ardendo de leve.
Passou pelo vigia rapidamente e ouviu o bom dia distraída. Estava com pressa agora. "Meu homem só largou de mim e me desamarrou da mesa porque estava com fome..." suspirou ela, abrindo um sorriso feliz. Piscou os olhos rapidamente por causa do sol na saída e segurou as compras com força, antecipando excitada o que a aguardava quando chegasse em casa. - Ai! Ai! - disse baixinho, pondo-se a caminhar...
12 de abril de 2012
Fragmento Censurado I
Antes de abrir os olhos ele já estava acordado. Acordado e pensando na vida, de olhos bem fechados.
E
mesmo com os olhos fechados ele podia ver a marca do tapa, do beijo e
do gozo. Podia sentir a devassidão da noite no corpo daquela mulher,
jogada na cama ao seu lado. Devassidão daquelas que ele somente havia
pensado em vagabundas, putas assanhadas e canalhas da pior espécie;
coisas impuras e medonhas; coisas proibidas e desejadas...
Mesmo de olhos fechados, podia ver a si mesmo com um sorriso de canto de lábio. O sorriso fácil de quem fez algo errado dar certo naquela
pilantragem escondida, que toda criança apronta aqui e ali.
"Vagabundo...", pensou sorrindo, agora abertamente, e lembrando com mais
clareza da robustez de peitos, da maciez de bundas e do assanhamento de
mãos.
Abriu
lentamente os olhos, fixando a vista embaçada no tampo da cômoda, que
ainda marcava a noite empunhando as taças sujas de vinho, borradas de dedos e batom. A garrafa vazia, ao lado, era a prova da vadiagem:
tombada, vazia, meio derramada, meio consumida, usada até o fim e
deixada de lado.
Suspirou,
passando a mão nos olhos. "Ai, que vida!", pensou. Espreguiçou o corpo na cama de lençóis sujos e amassados.
Podia
sentir a mulher ali, ao seu lado, na cama. Sabia que estava nua, assim como
ele. Nenhum dos dois teve condições de se vestir quando a noite finalmente
acabou. Girou a cabeça e olhou para o corpo dela.
Estava
de costas para ele; meio enroscada no lençol, as costas de fora e parte da bunda
aparecendo, as pernas longas escondidas; os cabelos desgrenhados, jogados por cima do travesseiro e do rosto; a pele marcada, suada e suja
de vinho e de corpo.
O
sorriso aumentou ainda mais, apesar do cansaço. "Gostosa! Como pode
você e uma noite como a de ontem?!" pensou, sentindo os olhos pesarem
novamente.
Observou-a por alguns instantes, enquanto ela respirava profunda e calmamente, mergulhada num sono sem memória, ou culpa.
- Mulher! - falou alto cutucando a bunda exposta.
O corpo estremeceu levemente ao contato súbito, mas sem sair do mundo dos sonhos.
- Mulher! - falou mais uma vez alto, batendo de forma tosca com a mão na bunda imóvel.
- Humm?! - resmungou ela, meio bêbada, meio usada.
-
Amo você, porra... - falou ele, ainda sorrindo, mas relaxando o
corpo, os olhos fechando, escorregando para o esquecimento da vadiagem; a
mão agora encostada nas costas dela, esquecida.
Ele não viu, mas ela abriu um sorriso, escondido entre os cabelos e o travesseiro...
Instantâneo XXI*
Algumas vezes, e apenas algumas vezes, a alma clama, a gente decide e depois sobrevive.
Pedido
No
embate de minhas partes reside o rasgar-me em pedaços, o amar sem
limites e o sofrer até o fundo... e na intensidade disso tudo reside meu
viver, meu bem viver, minha ventura, minha candura...
E pobre
daqueles que, ao meu lado amando, sobrevivem ao choque das minhas almas, às lágrimas de meus amores, aos
silêncios de minhas iras, ao meu desatino, enfim.
A esses um pedido de desculpas pelo meu viver; pois enquanto insano é belo e enquanto belo é o que se vê.
A ideia que habito...
A ideia que habito nesse instante me transgride o corpo e a mente; me
estica, me machuca, me comove e me enlouquece no prazer. E como poderia
ser diferente? Se assim não fosse, não valeria a pena...
Instantâneo XX
A jornada que você faz pra conhecer seu interior somente a você
pertence, bem como o que você decide mostrar dela para quem quer que
seja.
Lembre-se: na sua vida interior somente entram convidados.
7 de abril de 2012
Instantâneo XIX
Na semântica amor não é dor; e se for, está na hora de você deixar de ser um eco e virar um nome próprio.
3 de abril de 2012
Instantâneo XVIII
Todo têm flutuações de humor... mas mantenha seu humor flutuando, pois se ele afundar vai levar você junto.
Instantâneo XVII
E num sem mais, no embalo dos grilos e no ressonar dos filhotes, me
despeço desse cursor incerto, indeciso e irritante, para o qual um
<ENTER> é o ato que o transmuta numa ideia, ignóbil ou brilhante,
como olhos alheios o dirão...
Instantâneo XVI
A vida nos impõe saudades; você já viu voluntário pra isso? E nesse nó a gente se testa, se equilibra e se entende.
Ainda assim, segue o olhar mirando o horizonte...
Ainda assim, segue o olhar mirando o horizonte...
Instantâneo XV
Aos sentimentos deve ser dado zelo na mesma medida que ao solo é dado o
arado e as sementes, na promessa da chuva que virá; e virá.
Instantâneo XIV
Cada novo relacionamento possui novas regras: essa é a regra; todo o mais é diferente...
...erra, pois, aquele que tenta, ainda que desesperadamente, aplicar regras antigas a novos relacionamentos... essa pessoa perde uma grande oportunidade de se descobrir no universo do novo sentimento.
...erra, pois, aquele que tenta, ainda que desesperadamente, aplicar regras antigas a novos relacionamentos... essa pessoa perde uma grande oportunidade de se descobrir no universo do novo sentimento.
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