Ela estava na fila do caixa; suada e descabelada; segurando uma cesta com pão, queijo e mais outras coisas que ele não sabia dizer. Parecia suja. "Como as pessoas vem sujas no supermercado desse jeito?" pensou ele observando-a com certo asco. Mas ali estava ela, parada, esperando a sua vez de ser atendida.
A fila andou mais um pouco e ela se moveu junto, mudando a posição do quadril. Agora ele também podia ver as pernas, antes escondidas pela saia da senhora da frente, uma velha grisalha e ensacada dentro de um vestido escuro de cor indeterminada. Ele esticou o pescoço. As pernas eram longas e ela estava vestindo apenas uma bermuda curta; dava para ver até os pés agora, calçados em chinelos baratos. - Bem, o conjunto até que não é desagradável - pensou ele enquanto passava os olhos nos outros caixas e constatava a tranquilidade monótona dos clientes sendo atendidos.
- Tudo tranquilo - voltou a atenção para ela; usava uma blusa abotoada à frente, branca, com pequenos detalhes que deveria ter algum nome que ele desconhecia. O que ele sabia é que debaixo da blusa estava um par de peitos. Ele sorriu com sua perspicácia. - Um par de peitos gostosos... - pensou aguçando a vista e vendo que a blusa estava meio esticada pelo volume abaixo.
A fila andou mais, ela seria a próxima a ser atendida. A velha ficou de novo na frente das pernas da moça. - Bosta! - Ele olhou para o rosto dela, traços finos, delicados, que não combinavam com seu estado. O cabelo amassado e confuso caia na altura dos ombros, misturando-se com a blusa. Os olhos tinham uma aparência cansada e estava mordendo um lábio enquanto esperava.
Ele olhou impaciente para o relógio da parede; quase meio dia. Passou os olhos nos caixas rapidamente e voltou a olhar a moça. Sua altura era boa... ideal pra ser sincero; ficou imaginando ela nua e se divertindo com a ideia e com a moça. - Nossa, isso me dá até sede - tartamudeou consigo enquanto piscava os olhos e pensava com força numa lata de cerveja gelada, tentando mudar o rumo da conversa interna da moça sujona para a cerveja.
- Pronto, a velha foi embora! - resmungou, vendo a moça agora completamente. - Puta, que bunda! Ave Maria! - grunhiu, apreciando toscamente o corpo da moça e sentindo o incômodo tomar conta do seu. Mudou de posição para disfarçar e continuou a observar, enquanto ela tirava as coisas da cesta e colocava no caixa. "Cacete! Que calor..." pensou, agora definitivamente incomodado com a ereção e as ideias que lhe passavam pela cabeça; sentindo a gota de suor escorrer pelo lado do rosto.
A moça terminou de colocar as coisas nas sacolas e enfiou a mão no bolso da bunda para retirar o dinheiro. "Safada! Cachorra safada!" pensou ele com um sorriso contido. - Não podia ter colocado a grana no bolso da frente não? Miserável... - Ela recebeu o troco do caixa, guardando no bolso traseiro novamente, pegou as sacolas e virou-se, encarando-o diretamente nos olhos.
Ele sentiu a respiração parar com o susto e rapidamente desviou o olhar; virou de lado para os outros caixas e colocou as mãos na frente da calça, para disfarçar. Sentia que a moça caminhava em sua direção... - Obviamente, sua besta! - falou pra si mesmo. As pessoas passam por vigias em portas de supermercados. "Porra de cabeça suja a minha... caralho, coitada da moça deve estar ralando em algum lugar e eu aqui comendo ela dentro da cabeça." pensou ele com vergonha. - Deus me livre e guarde! - falou baixinho.
Viu com o canto dos olhos a moça se aproximando com um sorriso leve nos lábios. "Aí seu idiota... olha o mico! A moça sacou tudo..." pensou chateado. Olhou-a rapidamente, mudou a posição das mãos na frente da calça, levou uma delas ao quepe e a cumprimentou - Tenha um bom dia, senhora!" - como haviam ensinado no curso; desviou o olhar, sem graça, e continuou a olhar os caixas à distância, não vendo o sorriso da moça aumentar. "Coitada... seu idiota!" pensou uma última vez, desviando os olhos, esquecendo a moça inocente e focando o pensamento na monotonia dos caixas à distância.
...
A moça se virou e caminhou em direção à porta do supermercado. Viu de relance o estilo do olhar do vigia e como ele se virou de lado rapidamente. Abriu um leve sorriso... "Ahh homens! Mas não tenho tempo pra pensar em você agora moço." disse ela para consigo, sentindo os tornozelos ardendo de leve.
Passou pelo vigia rapidamente e ouviu o bom dia distraída. Estava com pressa agora. "Meu homem só largou de mim e me desamarrou da mesa porque estava com fome..." suspirou ela, abrindo um sorriso feliz. Piscou os olhos rapidamente por causa do sol na saída e segurou as compras com força, antecipando excitada o que a aguardava quando chegasse em casa. - Ai! Ai! - disse baixinho, pondo-se a caminhar...
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