19 de março de 2012

Escritor, cursor, castor... estupor

O escritor sentou em frente à tela do notebook pensando "HA! É hoje!"

Entenda você que "hoje" na realidade deve ser lido como "agora", no sentido amplo daquela coragem difusa e enevoada de que são acometidos os escritores quando se sentam para fazer algo da vida. É igual àquele grito de guerra que faziam as tribos de outrora na hora de se lançar atabalhoadamente de encontro às lanças do inimigo, geralmente perdendo a vida ou um membro no processo. É o frágil ser humano, aturdido por alguma droga cafeinada, desafiando os deuses do caos, da falta de memória e, evidentemente, da falta de talento. O "HA" deve ser entendido como "HA" mesmo.

O escritor respirou fundo e preparou-se para começar a digitar... as ideias estavam na ponta dos dedos e bastava iniciar. Colocou os dedos acima do teclado e fechou os olhos, pensando-se um virtuoso e pensando no encadeamento mágico que o tornaria vitorioso em sua batalha épica. "Sim!", pensou sorrindo. Elevou o anular direito preparando-se para iniciar a frase, com um "O", e viu, com um encantemento quase extático, o dedo descendo em direção à primeira tecla...

"PAAAAAAIII.... paiêêêê!!!"

Congelando o movimento do dedo no meio do ar, o escritor sentiu aquele chamado estridente e primal como um atentado aos seus poderes criativos e sua capacidade imensurável de articular palavr...

"PAAAAAIII... acabei! Me limpa?"

Estupor.

3 comentários:

  1. AAAaaah, castorzinho safado! Sei bem como é isso. É como se o general, na hora da batalha, pedisse licença pra atender o celular: acabou a força do grito de guerra... Né? :D

    ResponderExcluir
  2. =oP Ai, o(a) escritor(a) e os filhos... Melhor hora para o "HA! É hoje!" sair é de madruga... Mas, quem aguenta?...

    ResponderExcluir